Jetklasse

O Projecto

Projektbeschreibung


A residência artística a realizar nas instalações da Fábrica Braço de Prata é uma organização conjunta entre a Akademie der Bildenden Künste München e a Associação Cultural Criaactividade, à qual se juntaram a Faculdade de Belas Artes de Lisboa, a Universidade Lusíada e o Goethe-Institut.

As várias acções programadas entre 30 de Setembro e 12 de Outubro de 2009 contarão com a presença de trinta e um estudantes de vários países, que actualmente estudam com a tutora da residência artística, e de nove estudantes da Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

O objectivo será ocupar vários espaços da Fábrica com intervenções multidisciplinares que terão em conta a história do edifício, o ambiente no qual está situado e a forma como é experienciado e coabitado actualmente. Pretende-se, em simultâneo, valorizar o processo da criação e reflexão artística contemporânea e o seu envolvimento com o local, tendo como temáticas a reinvenção da lógica dos espaços e a relação com o meio ambiente e seus ocupantes.

A ideia de Imersão Ambiental, sob um olhar poético atento, propõe interagir com os vários ambientes numa dialéctica entre Arte e Património que a Fábrica peculiarmente propicia.


Das Projekt in Form eines Gastateliers in der Fábrica Braço de Prata ist eine Zusammenarbeit zwischen der Akademie der Bildenden Künste München und des Kulturvereins Criaactividade unter Einbeziehung der Kunstakademie Lissabon, der Universität Lusíada und des Goethe- Instituts Lissabon. Die Teilnahme von 35 Kunststudenten aus 10 verschiedenen Ländern, die zur Zeit an der AdBK München in unterschiedlichen Klassen studieren und 10 Studenten der Kunstakademie Lissabon, deren Austausch und die gemeinsame Ausführung der verschiedenen künstlerischen Positionen bilden den Kern des Projektes. Die verschiedenen Veranstaltungen finden zwischen dem 30.09. und dem 12.10. statt. Das Ziel ist die Vernetzung verschiedener räumlicher Voraussetzungen in der FBP mit den jeweiligen künstlerischen Vorstellungen. Die multidisziplinären Interventionen sollten die Geschichte des Gebäudes, die Umgebung und die heutige Nutzung des Areals miteinbeziehen. Die künstlerischen Fähigkeiten, innerhalb eines Zeitfensters mit wenigen Mitteln eine Idee in umzusetzen, sind vordergründig. Der Austausch der Ideen in der Gruppe so wie die künstlerischen Diskussionen während der Produktionzeit sind entscheidend.


Princípio / ideia do projecto JETKLASSE

Allgemeines zum Projekt JETKLASSE


A composição de uma academia de artes com pessoas de diferentes nações é, em contraste com as formas tradicionais de expressão, um novo sistema de ensino.

A presença física de cada artista guarda, dentro do sistema cultural em que se insere, as suas as ideias.

Este facto poderá ser um contraponto à velocidade da era digital.

Como forma de arte, esta diferença torna-se cada vez mais importante. Cada artista acaba por investigar a sua ascendência, as suas raízes e origens de uma nova maneira. Os encontros imprevistos são considerados como inspiração, simbiose, como uma academia ou experiência virtual.


Um dos princípios de Magdalena Jetelová é a promoção de intercâmbios entre os seus alunos e alunos de outras turmas, com outros de instituições parceiras. Os últimos projectos da plataforma criada para essa finalidade JETKLASSE, foram encontros na Cidade do México (2005), Praga (2004, 2006) e Varsóvia/Gdansk (2007). Em Janeiro de 2008 houve um intercâmbio com os alunos da Norwich School of Art and Design em Munique. Alguns alunos voltaram a expor em Norwich em Maio deste ano.


Os projectos incluem uma publicação em forma de um catálogo, que é produzido pelos alunos.

O ensino académico passa a ser não só encontro, mas também trabalha a ideia de deslocar uma escola para outras localidades geográficas. Esta deslocalização da escola para o meio urbano aumenta o compromisso de trabalhar em grupo e simultaneamente traz novos desafios à criação individual.

Trata-se de criar novas esferas de comunicação, para eliminar preconceitos em relação ao conhecimento e aceitar os outros como forma de enriquecimento da própria percepção.

Trata-se de uma nova forma de comunicação que se consegue por uma acção concreta de alunos de vários países e culturas.

Sem estes encontros, uma academia contemporânea será impensável.


Die Zusammensetzung einer Akademie aus Menschen verschiedenster Nationen stellt im Gegensatz zu den traditionellen Ausdrucksformen eine neues System der Lehre dar.Die physische Anwesenheit bewahrt in diesen Systemen das Geheimnis jedes einzelnen Individuums.Diese Tatsache versteht sich als Kontrapunkt zur Rasanz des digitalen Zeitalters. Als Kunstform gewinnt diese Differenz der Menschen zunehmend an Bedeutung. Diese Zelle forscht nach ihrem Ursprung, untersucht ihre Wurzeln und ihre Herkunft jeweils neu. Die unerwarteten Begegnungen werden als Inspiration, als Symbiose, als virtuelle Akademie erfahren.

Akademie soll nicht nur als Begegnung, sondern als ein konkret geographisch veränderbarer Ort untersucht werden. In der neuen Geographie dieser urbanen Akademie wird die künstlerische Präsenz des Anderen zur Herausforderung für jeden Einzelnen. Es geht darum neue Kommunikationsfelder zu schaffen, belastende Vorurteile abzubauen und das Kennenlernen und Akzeptieren des Anderen als Bereicherung der eigenen Wahrnehmungsfähigkeit zu verstehen. Es geht um eine neue, durch konkretes Handeln gestaltete Kommunikation zwischen den Studierenden und ihren Herkunftsländern.

Ohne diese Begegnungen ist eine zeitgenössische Akademie nicht denkbar.

Teil der Lehre von Magdalena Jetelová ist der Austausch von Studenten der jeweiligen Partnerinstitutionen.

Die letzten Projekte der dafür geschaffenen Plattform JETKLASSE fanden in Mexico-City(2005), Prag(2004, 2006) und Warschau/Gdansk(2007) statt. Im Januar 2008 stellten Studenten der Norwich School of Art and Design gemeinsam mit Studenten und ehemaligen Studenten der Klasse Jetelová in der Pasinger Fabrik aus. An den Reisen nehmen jeweils auch Studenten anderer Klassen der AdbK München teil. Die Projekte schließen mit einer Publikation in Form eines Kataloges, welcher von den Studenten produziert wird, ab.



Tutora: Magdalena Jetelová (http://www.jetelova.de/index2.html)


«Tudo o que vemos só existe virtualmente na fotografia. A inscrição luminosa temporariamente combinada na meia-noite escura com a massa do bunker e da paisagem circundante: a reunião do tempo humano com a natureza, um texto escrito no ponto de sua intersecção..»


Detentora de uma relevante obra de reconhecimento mundial, Magdalena Jetelová simboliza um universo criativo cujo processo observa, desmonta e questiona todo e qualquer preconceito sobre temas como: lugar, história, espaço, ruína, edifício, memória, escala, arquitectura, paisagem, geografia, sociedade ou natureza. Procedendo sempre com uma indiscutível carga ética, quase épica.

Após a conclusão dos seus estudos na Academia de Arte de Praga, começou a reagir à absurda realidade socialista do seu país, com obras que comunicavam de forma codificada, provocativa e irónica. Depois da Primavera de Praga em 1968, o sistema político instaurado, liderado pelo presidente pró-soviético Gustav Husák, continuava a dominar o povo checo, que reagia através do decálogo da não cooperação: não sei, não conheço, não direi, não tenho, não sei fazer, não darei, não posso, não irei, não ensinarei, não farei.

Magdalena também reagiria a este ambiente explorando tendências opostas, como o racionalismo e o irracionalismo ou a estabilidade e a instabilidade em intervenções espaciais, através da criação de colossais objectos do quotidiano, como mesas, cadeiras e armários de madeira, assim como escadas que não levavam a nenhum lugar ou concebendo casas inabitáveis. Afirmando desta forma ambígua que «as coisas não funcionavam».

Como quase todos os artistas da sua geração, as suas intervenções artísticas começaram a ser feitas em espaços alternativos como quintais, fábricas ou estúdios, minando o sistema de exposições oficial que protegia uma arte que não o punha em causa e que era assim favorecido por ela.

O abandonar do espaço do Museu acabou por ser determinante no seu posterior desenvolvimento artístico. Ao explorar os locais mais abertos da natureza a sua obra passou a pesquisar semanticamente a experiência do espaço e do tempo. Estas experiências tornaram possível o seu retorno aos museus, onde passa a exibir obras que transformam a arquitectura desses espaços pelas suas intervenções excepcionais.

Magdalena Jetelová interessa-se pela conexão de lugares distintos no espaço que não é um vazio, mas um lugar de intercâmbio e trânsito, onde a colocação de materiais é sempre conseguida através de uma complexa rede de relações.

Entre 1990 e 1993 faz várias instalações, associando várias categorias que incorporam elementos arquitectónicos e paisagísticos. Sua filosofia artística combina elementos do construtivismo com outros elementos da arte povera e da landart.

Nos últimos anos, Magdalena Jetelová realizou projectos nas mais diversas realidades culturais e geográficas, da Europa aos Estados Unidos, América Latina e Austrália – integrando-os sempre com uma consciência transformativa essencial e vital no que se experiencia do espaço intervencionado como um universo com significado e a significar, mediante a efemeridade das suas actuações.

Paralelamente aos materiais tradicionais Magdalena Jetelová tem usado cada vez mais nas suas intervenções e instalações, meios electrónicos, como o vídeo e o laser, intervindo em edifícios ou em paisagens com o auxílio dessas tecnologias avançadas, a fim de expor a sua estrutura e a sua história, confrontando o passado com o presente, a ideia com a “realidade”. Uma poderosa atitude multidisciplinar interage, demonstra e questiona os princípios estabelecidos subjacentes ao meio, sobre o qual actua.

Estas intervenções são normalmente de carácter efémero e tocam os temas do lugar nos limites da estética, filosofia, literatura e história. São sempre desafios simultaneamente perceptivos, conceptuais, políticos e acima de tudo humanos, que encontram na Luz um material fundamental na estratégia expositiva. Neste processo, o registo fotográfico assume extrema importância como documento para a posteridade, testemunhando as inesquecíveis transfigurações perceptivas da leitura dos espaços transformados, que vão além do mero exercício formalista. É desta maneira que a acção de Jetelová recorre, cruza e marca um espaço que não concebe de forma inerte, sem que haja a descoberta e o re-imaginar, trabalhando essencialmente com a luz.

A artista desenvolve os seus projectos com uma convicção e uma perícia notáveis, onde a naturalidade e a invenção, nunca perdem a noção de uma transformação espacial enquanto um todo significante.

Em 2006, durante o Ateliê Desenhar a Luz no âmbito da Luzboa – I Bienal Internacional da Luz em Lisboa, Magdalena Jetelová desenvolveu em conjunto com os participantes uma intervenção no Aqueduto das Águas Livres em Lisboa, em que o monumento era pensado como um todo, das nascentes aos chafarizes, no seu enquadramento simultaneamente rural e urbano, salientando a sua importância arquitectónica nacional e internacional.


Magdalena Jetelová nasceu em 1946 em Semily, na antiga Checoslováquia;

Entre 1965 e 1967 estudou na Academia de Belas Artes de Praga, passando pela Accademia di Brera, Milão (1967-1968), onde estudou com

Marino Marini, terminando os seus estudos em 1971, novamente em Praga; Em 1985, ganha uma bolsa de estudos e muda-se para Munique,

na Alemanha; Vence em 1986 o concurso Philip Morris, ano em que realiza os seus primeiros trabalhos com projecções laser para suprimir as

fronteiras espaciais e criar novos pontos de orientação no espaço; Expôs na Documenta VIII em 1987, aceitando no ano seguinte o cargo de

professor visitante na Academia de Belas Artes de Munique; Lecciona na Academia de Verão de Salzburgo, em 1989. De 1990 a 2004 foi

professora na Academia de Arte de Düsseldorf; Em 1992, tornou-se membro da Academia de Artes de Berlim; Foi consultora do Conselho do

Castelo de Praga entre 1993 e 1995; Desde 2004 é professora na Academia de Belas Artes, em Munique e a partir de 2008 torna-se professoravisitante

da Academia de Belas Artes de Praga. Para além do prémio citado, venceu o prémio Glockengasse (1988), Colónia; o prémio de Arte Overbeck

(1988), Lübeck; o prémio de arte de Darmstadt (1989); o prémio Max Lütze (1991), Stuttgard; o prémio Robert Jacobsen (1997), Museum Würth

Foudation; o prémio Jill Watson por realizações transdisciplinares em artes e arquitetura (1999) e o prémio Erftkreis (2002).



Ficha Técnica

Projektleitung


Coordenação do projecto: Carlos de Abreu e Samuel Roda Fernandes

Koordinierung: Carlos de Abreu und Samuel Roda Fernandes


Responsável pela Akademie der bildenden Künste München: Magdalena Jetelová

Verantwortlich für die Akademie der Bildenden Künste München: Magdalena Jetelová


Responsável pelos projectos apresentados pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa: José Quaresma

Verantwortlich für die Kunsakademie Lissabon: José Quaresma


Responsável pela Fábrica Braço de Prata: Nuno Nabais

Verantwortlich für das Kulturzentrum Braço de Prata: Nuno Nabais


Coordenação de produção – Fábrica Braço de Prata: Patrícia Freire

Produktionskoordiniertung – Fábrica Braço de Prata: Patrícia Freire


Coordenação residência e exposições – Fábrica Braço de Prata: Fabrice Ziegler

Koordinierung Artists in Residence und Ausstellungen – Fábrica Braço de Prata: Fabrice Ziegler